17 de janeiro

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6/12/13 às 17h13 - Atualizado em 24/12/18 às 9h55

ARIE JK busca aliados para sobreviver


A Area de Relevante Interesse Ecológico Juscelino Kubistchek – ARIE JK, vale natural (ainda) existente entre as cidades de Samambaia, Taguatinga e Ceilândia, Distrito Federal, sofre com o adensamento urbano desenfreado. Ambientalistas e produtores rurais se mobilizam em defesa da ARIE JK e alertam para os problemas decorrentes da má gestão ambiental na região. Informe-se! Participe dessa luta!!!
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Síntese histórica da ARIE JK e Núcleo Rural Taguatinga

A Área de Relevante Interesse Ecológico Juscelino Kubistchek – ARIE JK é uma unidade de conservação de uso sustentável, criada pela Lei nº 1002/1996, que une as três maiores cidades do Distrito Federal: Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, com um contingente de mais de 50% da população do Distrito Federal.

A manutenção da integridade dessa área como um bem importante para a qualidade de vida da população foi uma das principais motivações que levou à constituição dessa Lei com o intuito de proteger as riquezas naturais, a biodiversidade, a água, os parques e o cinturão verde nela inseridos.

A ARIE JK guarda uma diversidade floristica, nativa e exótica, formando um pulmão que permeia as cidades renovando o ar da região. As inúmeras nascentes e os córregos Cortado, Taguatinga e Ribeirão Taguatinga/ Melchior são tributários da bacia do Descoberto e da represa do Corumbá IV, cujas águas, fontes de vida, estão destinadas ao abastecimento da população dessas cidades.

Os animais silvestres que moram e transitam na região encontram ambiente e alimentos que lhe dão vida e sustentação dentro do verdadeiro corredor ecológico formado pelas áreas de preservação e pelo conjunto da vegetação mantida na área.

Os vários parques ecológicos e de uso múltiplo (Saburo Onoyama, Três Meninas, Boca da Mata, Cortado, Gatumé e Ceilândia) estão integrados na ARIE JK, além de abrigar no seu interior 17 sítios arqueológicos já identificados do homem de 9.000 anos, onde os objetos encontrados foram catalogados pela Universidade de Goiás e podem vir a compor o Eco-museu Arqueológico do DF, Paulo Bertan.

O Núcleo Rural de Taguatinga e as demais áreas rurais também fazem parte da ARIE JK. É um dos cinturões verdes idealizado por Lúcio Costa no planejamento de Brasília com a função de abastecimento das cidades. Nesse contexto, muitos agricultores de origem japoneses atenderam o convite do Presidente Juscelino e se radicaram nas terras da nova capital, desde 1958. O trabalho iniciado por eles há mais de 53 anos, e por outros agricultores e produtores históricos é continuado pelas gerações de filhos netos e bisnetos, com empreendedorismo e inovação. São 29 chácaras que compõem esse núcleo, além das chácaras na extensão de Ceilândia e Samambaia, inseridas na ARIE JK.

Essas chácaras apresentam uma diversidade de atividades que envolvem a produção de hortifrutigranjeiros, produção orgânica, floricultura, piscicultura, turismo rural, lazer e educação, agroindústria, processamento artesanal e escultura. Geram trabalho, emprego e renda. Com isso contribuem para a preservação da ARIE JK, como parceiros históricos nessa missão.

Entretanto, ao longo dos anos vem ocorrendo a descaracterização da ARIE JK, com mudança de destinação do uso da área, inclusive com alteração de sua poligonal, fruto das pressões e interesses contrários à sua preservação, que certamente impactará negativamente nos recursos da natureza e na vida das pessoas. Exemplos dessa situação são as tentativas de desconstituição das atividades rurais históricas nas chácaras da região.

A realidade mostra que a lei, embora seja um forte instrumento de proteção, sozinha, não promove o sonho da preservação da ARIE JK, para o presente e o futuro das gerações. Tem evidenciado também que o trabalho, a dedicação, a honestidade do homem do campo e a produção de ar, água e alimento, não tem valor face o interesse econômico.  É preciso que a comunidade se organize e construa uma agenda unificada para atuar nesse sentido, pois são vários os desafios existentes:

1. A ARIE JK, embora com mais de 15 anos, não tem ainda seu Conselho Gestor instituído nem o Plano de Manejo em processo de implementação;

2. Ineficiente fiscalização capaz de coibir a grilagem e o parcelamento do solo;

3. Esgotamento de nascentes provocado pelo adensamento humano de loteamentos irregulares como pelas grandes edificações no entorno da ARIE JK;

4. Insegurança jurídica das chácaras;

5. Ausência de legislação e programas que amparem a agricultura nas periferias urbanas e área urbana, preconizando seu desenvolvimento;

6. Desconstituição de empreendimentos das chácaras do Núcleo Rural Taguatinga, construídos nos últimos 53 anos;

7. Ausência de uma atuação construtiva, educadora e incentivadora por parte dos órgãos ambientais quanto à preservação da ARIE JK;

8. Visão segmentada do conceito de rural, urbano e ambiental, deixando de focar o espaço único e integrado do território;

9. Outros.

Antônio Drumond – presidente Associação dos Produtores do Núcleo Rural Taguatinga – (61) 9944.7813 e drumondchacara37@gmail.com” target=”_blank”>drumondchacara37@gmail.com 
Cláudio Antonio T. Pires – presidente Conselho Desenvolvimento Rural Ceilândia – (61) claudioatp@yahoo.com.br” target=”_blank”>claudioatp@yahoo.com.br e (61) 9971.1650

Repórter: Élton Skartazini

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